BC prepara regras para cartão e empréstimo pessoal em 2026
O Banco Central avisou que prepara regras para cartão de crédito e empréstimo pessoal sem consignação. Entenda o que muda e o que fazer com a dívida agora.

O Banco Central colocou o cartão de crédito e o empréstimo pessoal sem desconto em folha na mira de uma nova rodada de regras, mas ainda não existe nenhuma taxa definida, teto novo ou data de estreia para essas mudanças. O aviso veio na reunião do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) realizada em 26 de agosto de 2026, registrada no Comunicado nº 45.824, e foi reforçado dias depois pela diretoria da autarquia em evento público.
Se você tem fatura atrasada ou pegou dinheiro emprestado no banco para cobrir o mês, o recuo nos juros não vai acontecer da noite para o dia. O movimento do regulador sinaliza que o endividamento nessas duas modalidades virou prioridade institucional, com foco inicial em transparência e no custo do crédito. Enquanto a regra final não é publicada, a sua melhor saída é entender exatamente quanto custa o dinheiro que você pegou e evitar decisões que aumentem o buraco.
O que o Banco Central anunciou de verdade
Na reunião de 26 de agosto de 2026, o Comef decidiu manter em 0% o adicional contracíclico de capital, que é a reserva extra exigida dos bancos para segurar o crédito no país. No mesmo comunicado oficial, o comitê escreveu textualmente que o Banco Central prepara medidas voltadas para as linhas mais caras de financiamento às famílias, citando o cartão de crédito e o crédito não consignado.
Logo no início de setembro de 2026, a diretoria de Fiscalização do órgão explicou que a ideia é discutir o tema com o Conselho Monetário Nacional e colocar a transparência como primeiro passo. O crédito pessoal sem garantia de folha de pagamento é uma das linhas mais caras do mercado, com taxas médias que alcançaram 142,7% ao ano em maio de 2026, segundo dados divulgados pelo próprio BC.
Isso significa que você não deve esperar cancelamento de dívida ou congelamento imediato de cobranças. O aviso serve para o setor financeiro se preparar, mas o valor que está na sua fatura deste mês continua exatamente o mesmo contratado.
O que já vale hoje para quem deve no cartão
Hoje, quem entra no rotativo do cartão já conta com a regra que limita o total de juros acumulados a 100% do valor da dívida original. Essa regra veio de decisões anteriores para evitar que uma conta de R$ 1.000 virasse R$ 5.000 em poucos meses por causa do efeito bola de neve.
Só que o teto de 100% não transforma o rotativo em uma linha barata. Pagar o mínimo da fatura ainda faz o saldo restante gerar juros altos no mês seguinte. Depois de 30 dias no rotativo, o banco é obrigado a oferecer um parcelamento da fatura com juros fixados, mas as parcelas ainda carregam encargos pesados e comprometem o salário por muitos meses.
No caso do empréstimo pessoal sem consignação, não existe esse mesmo teto de 100%. Como o banco não tem a garantia do desconto direto no salário, o risco de calote sobe e a taxa cobrada acompanha esse risco. Quem recorre a essa modalidade para tapar um buraco urgente costuma assumir parcelas que pesam demais na renda fixa da casa.
O perigo de trocar uma dívida cara por outra
Quando o dinheiro aperta, a reação mais comum é buscar qualquer empréstimo aprovado na hora no aplicativo do banco para quitar a fatura inteira. Na prática, trocar o cartão por um empréstimo pessoal comum pode apenas transferir o problema de lugar sem baratear o custo total.
Veja o caso do Marcos. Ele acumulou R$ 3.200 na fatura do cartão depois de consertar o carro e pagar os remédios da família. Para não entrar no rotativo, contratou R$ 2.500 em um empréstimo pessoal sem consignação direto pelo celular, dividido em 18 vezes, e usou o saldo da conta corrente para pagar o resto da fatura. Como a taxa do empréstimo não consignado era alta, cada parcela ficou em R$ 260. No final dos 18 meses, ele vai pagar R$ 4.680 pelos R$ 2.500 emprestados.
Marcos se livrou da fatura imediata, mas amarrou R$ 260 da renda mensal por um ano e meio. No mês seguinte, o salário veio menor por causa do desconto da parcela, faltou dinheiro para o mercado de R$ 350 e ele precisou passar as compras no cartão de crédito novamente. Essa ciranda acontece porque o empréstimo pessoal sem garantia não resolveu o descompasso entre o que entra e o que sai da casa.
Como organizar as contas enquanto as regras não mudam
Se você tem saldo no rotativo ou parcelas de empréstimo em andamento, esperar a canetada de Brasília não vai aliviar o seu bolso no curto prazo. Dá para tomar quatro atitudes práticas agora:
- Olhe o Custo Efetivo Total (CET). Não olhe apenas a taxa de juros mensal anunciada na tela. O CET inclui impostos (IOF), tarifas bancárias e seguros embutidos. Compare o CET do parcelamento da fatura com o do empréstimo pessoal antes de assinar qualquer contrato.
- Liste todas as parcelas fixas do mês. Anote cada compromisso que já está descontado antes mesmo do salário cair, como empréstimos anteriores, parcelamentos de compras e contas básicas de luz e aluguel.
- Estabeleça um teto para os gastos variáveis. Se você divide despesas com alguém, mostre quanto da renda líquida já está travado em parcelas para recalcular o que sobra para alimentação e farmácia. Você pode manter essa rotina simples contando os gastos do dia pro Fin no WhatsApp, que já separa o que é seu e o que é da outra pessoa sem complicação.
- Renegocie com proposta fechada. Em vez de aceitar o primeiro parcelamento automático do aplicativo, ligue para a instituição financeira ou use os canais oficiais de negociação para pedir redução de juros mediante entrada à vista ou prazo menor de pagamento.
Perguntas frequentes
O Banco Central já reduziu os juros do cartão de crédito?
Não. O Banco Central apenas anunciou em 26 de agosto de 2026 que prepara medidas regulatórias para o crédito mais caro às famílias. As taxas cobradas hoje continuam válidas até que normas específicas sejam publicadas e entrem em vigor.
Vale a pena pegar empréstimo pessoal para pagar o cartão?
Depende da taxa real de cada opção. O empréstimo pessoal sem desconto em folha costuma ter juros muito altos e pode custar quase o mesmo que o parcelamento da fatura. Compare sempre o Custo Efetivo Total (CET) das duas alternativas antes de trocar uma dívida por outra.
O que é empréstimo sem consignação?
É o empréstimo pessoal comum concedido pelo banco em que as parcelas não são descontadas diretamente da folha de pagamento ou do benefício do INSS. Por não ter essa garantia de recebimento, os bancos costumam cobrar taxas bem mais elevadas.
Fontes
- BC prepara medidas para cartão de crédito e não consignado - Let's Money letsmoney.com.br
- letsmoney.com.br vertexaisearch.cloud.google.com
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