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title: "Como dividir contas na república: a história de Duda, Marina e Bia"
description: "Três amigas brigavam por mercado e conta de luz até separarem gasto comum de gasto individual. Veja como elas fecharam o mês e o que dá para copiar."
canonical: https://meufin.app/blog/dividir-contas-republica-historia
published: 2026-09-04T18:17:51.671Z
updated: 2026-09-04T18:17:51.671Z
author: "Diego Araujo"
tags: ["republica", "dividir contas", "morar com amigos", "rateio", "mercado"]
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# Como dividir contas na república: a história de Duda, Marina e Bia

*Três amigas brigavam por mercado e conta de luz até separarem gasto comum de gasto individual. Veja como elas fecharam o mês e o que dá para copiar.*

Se você mora com amigos e toda semana tem discussão por causa do mercado, o problema quase nunca é o valor. É que vocês estão dividindo coisas diferentes do mesmo jeito. Conta de luz todo mundo usa igual, então divide igual. Mercado, não: tem quem cozinhe todo dia e quem só passe em casa pra dormir. A saída é simples e vale pra qualquer república: separe o que é da casa do que é seu, e só divida o que é da casa.

A história abaixo é um exemplo inventado, com nomes e valores criados pra ilustrar. Mas a bagunça é bem real e a solução é copiável.

## O problema: tudo dividido em três, e ninguém feliz

Duda, Marina e Bia alugaram um apartamento de três quartos e combinaram o óbvio no primeiro dia: aluguel em três, luz em três, internet em três, mercado em três. Escreveram no grupo do WhatsApp, cada uma mandou o Pix da parte dela e pronto.

Funcionou por dois meses. No terceiro, começou a incomodar.

Duda cozinha. Faz marmita pra semana, usa a airfryer todo dia, compra frango, arroz, legumes, tempero. Marina cozinha nos fins de semana e almoça fora durante a semana. Bia trabalha em escala, come no refeitório da empresa e passa três noites por semana na casa do namorado. Quando estava em casa, comia pão com ovo.

O mercado do mês chegava em uns **R$ 720**. Dividido em três, **R$ 240** pra cada uma. Bia pagava R$ 240 e comia, no chute dela, uns R$ 60 daquilo. Duda achava que Bia estava reclamando de barriga cheia, porque ela também não estava lá pra limpar a cozinha. Marina ficava no meio, tentando não brigar com ninguém.

A discussão explodiu num sábado por causa de uma coisa boba: um queijo de R$ 38 que a Duda comprou pra uma receita e que a Bia nem provou.

## O que elas mudaram: duas listas em vez de uma

A conversa séria durou uns quarenta minutos, sentadas na mesa da cozinha. O que saiu de lá foi bem menos sofisticado do que parece:

**Lista 1 — gasto da casa.** É o que existe mesmo que ninguém esteja em casa, ou o que todo mundo usa sem contar. Luz, água, internet, gás, produtos de limpeza, papel higiênico, café, óleo, sal, açúcar, arroz, feijão. Esse tipo de coisa divide igual, em três, sem discussão e sem calculadora na mão.

**Lista 2 — gasto de cada uma.** É o que tem dono. A proteína que a Duda compra pra marmita dela. O iogurte grego que só a Marina come. O achocolatado da Bia. Cada uma paga o seu, escolhe a marca que quiser e ninguém opina.

A regra de bolso que elas criaram: *se tem nome de gente, é individual; se tem nome de casa, divide*.

Na prática, a compra do mês virou duas: uma compra grande da casa, feita por qualquer uma das três, e as compras pequenas de cada uma, que cada uma paga do próprio bolso e não entram em conta nenhuma.

## Como ficou o fechamento do mês

No primeiro mês com a regra nova, a compra comum deu **R$ 480**. Foi a Marina quem passou o cartão. A conta de luz veio **R$ 90**.

A divisão ficou assim:

- Mercado comum: R$ 480 ÷ 3 = **R$ 160 por pessoa**
- Luz: R$ 90 ÷ 3 = **R$ 30 por pessoa**
- Total: **R$ 190 por pessoa**

Como a Marina pagou os R$ 480 do mercado e a Duda pagou os R$ 90 da luz, a conta final foi essa:

- Bia devia R$ 190: mandou R$ 160 pra Marina e R$ 30 pra Duda.
- Duda devia R$ 160 do mercado, mas já tinha pago R$ 90 de luz e tinha R$ 60 a receber (R$ 30 da Bia e R$ 30 da Marina). Mandou R$ 160 pra Marina e recebeu os R$ 30 de cada uma.
- Marina devia R$ 30 de luz e mandou pra Duda.

No fim, ninguém saiu devendo nada e cada uma gastou os mesmos R$ 190 na parte comum. O que sobrou de compra individual ficou fora da conta: a Duda gastou mais no mercado dela naquele mês, e tudo bem, porque era comida dela.

O ponto não são os R$ 160. É que a Bia parou de sentir que estava bancando a marmita da Duda, e a Duda parou de sentir que estava sendo cobrada por cozinhar.

## O jeito que elas registram: uma mensagem no grupo

A segunda mudança foi acabar com o "depois eu te falo quanto foi". Ninguém guardava nota fiscal, ninguém lembrava no dia 30 quem tinha comprado o detergente no dia 8.

Agora, quem paga alguma coisa da casa manda na hora, no grupo, do jeito que sair: "mercado 480, dividir com Duda e Bia". A Marina, que é a que mais faz compra grande, adotou isso primeiro. Ela conta pro Fin no WhatsApp, o gasto fica registrado com a parte de cada uma, e no fim do mês aparece o resumo de quem deve o quê. Quem manda o Pix continua sendo elas — o Fin só mostra o número certo pra ninguém discutir de memória.

O detalhe que fez diferença foi o "na hora". Enquanto era "depois eu anoto", nada era anotado.

## O que ainda não está resolvido

Seria bonito dizer que acabou a treta. Não acabou.

O gás continua sendo uma briga pequena, porque a Duda usa muito mais o fogão e as três dividem igual mesmo assim. Elas decidiram deixar como está por enquanto: o botijão não vale a discussão. Se um dia pesar, a Duda paga metade e as outras duas dividem o resto.

Tem também a semana em que a Bia esquece de mandar o Pix e a Marina precisa cutucar. Isso não some com sistema nenhum. O que mudou é que a cobrança virou "são R$ 190, olha aí a lista" em vez de "você nunca paga nada".

E tem o combinado que elas quebram de vez em quando: alguém compra algo caro pra casa sem avisar. A regra que criaram foi acima de **R$ 100**, pergunta antes no grupo. Já furaram duas vezes.

## O passo a passo pra copiar na sua república

1. **Sentem os três (ou quatro) na mesma mesa.** Por mensagem essa conversa vira briga. Presencial, dura meia hora.
2. **Façam a lista do que é da casa.** Escrevam item por item: luz, água, internet, gás, limpeza, papel, e os itens de despensa que todo mundo usa. Se tiver dúvida sobre um item, pergunte: "se eu viajar um mês, isso ainda vai ser comprado?". Se sim, é da casa.
3. **Tudo que ficou de fora é individual.** Sem exceção e sem exigir que ninguém justifique o que come.
4. **Definam quem compra e como reembolsa.** Pode ser rodízio (cada mês uma faz a compra grande) ou fixo (uma faz sempre e as outras mandam a parte). Os dois funcionam, desde que esteja escrito.
5. **Registrem no dia.** Quem pagou, quanto, e se divide com quem. Uma mensagem no grupo já resolve, desde que alguém some no fim.
6. **Fechem numa data fixa.** Escolham um dia — dia 5, dia 30, tanto faz — e nesse dia sai o resumo e saem os Pix. Sem data, vira "a gente acerta qualquer hora", que é o mesmo que nunca.
7. **Revisem em três meses.** A rotina muda: alguém começa a trabalhar em casa, alguém arruma namorado, alguém vira vegetariano. O combinado precisa acompanhar.

## Quando dividir igual continua sendo o melhor

Separar gasto individual não é sempre a melhor ideia. Se as três cozinham parecido, comem em casa quase todo dia e têm rotina semelhante, dividir o mercado inteiro em três é mais simples e evita transformar a despensa em contabilidade.

A regra prática: só separe quando a diferença for grande o bastante pra alguém reclamar. Se a diferença é de R$ 20 no mês, não vale o trabalho. Se é de R$ 150 todo mês, vale — e reclamar em silêncio por seis meses custa muito mais caro que uma conversa de quarenta minutos na cozinha.

## Perguntas frequentes

### Como dividir o mercado da república se cada um come uma coisa?

Faça duas compras: uma da casa, com itens que todo mundo usa (arroz, óleo, café, limpeza, papel), e a sua, com o que só você come. A compra da casa divide igual pelo número de moradores. A individual cada um paga do próprio bolso e ninguém precisa dar satisfação do que comprou.

### Quem paga menos se passa a semana fora?

Contas fixas como luz, água e internet costumam ser divididas igual mesmo assim, porque a casa continua funcionando e o valor pouco muda. Já mercado e gás podem ser ajustados, porque dependem de uso direto. Se alguém dorme fora metade do mês, o combinado justo costuma ser pagar as fixas por igual e entrar no mercado comum com uma parte menor, definida antes e por escrito no grupo.

### O que fazer quando um colega de casa atrasa o Pix todo mês?

Tenha uma data fixa de fechamento e mande o resumo com o valor e a lista de gastos, não só o número solto. Isso tira a conversa do campo pessoal. Se o atraso virar rotina, mude quem paga primeiro: quem atrasa passa a pagar a conta cheia e receber dos outros, em vez de dever.

### Vale a pena ter uma conta conjunta da república?

Vale se a casa tem várias contas fixas no nome de pessoas diferentes e ninguém quer ficar fazendo Pix toda semana. O risco é o de sempre: se alguém não deposita, a conta fica descoberta e sobra pra quem depositou. Muita república resolve bem só com um registro compartilhado dos gastos e um dia certo pra acertar.

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Publicado no Blog do Fin: https://meufin.app/blog/dividir-contas-republica-historia
