Golpe do falso contato judicial 2026: como é a fraude que o TJDFT alertou e como não pagar por engano
O TJDFT alertou em 1º de setembro de 2026 para o golpe do falso contato judicial. Veja como a fraude funciona e o que fazer antes de pagar qualquer coisa.

Se você recebeu no WhatsApp uma mensagem de alguém dizendo ser juiz, servidor da Justiça ou advogado, cobrando um valor urgente para resolver um processo, não pague. Em 1º de setembro de 2026, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) alertou para o chamado golpe do falso contato judicial, em que criminosos se passam por juízes, servidores, advogados ou representantes da Defensoria Pública e do Ministério Público para arrancar dinheiro das pessoas. A saída prática é simples: encerre a conversa, não clique em link nenhum e procure o tribunal pelos canais oficiais para conferir se existe mesmo algum processo no seu nome.
O detalhe que assusta é que o golpe ficou mais elaborado. Segundo o alerta do TJDFT, o contato pode vir por WhatsApp, e-mail, ligação ou vídeo, e já houve relato de simulação de audiência virtual. Ou seja: a pessoa entra numa chamada, vê alguém de terno, ouve palavras difíceis e acredita que está diante da Justiça de verdade.
Como funciona o golpe do falso contato judicial
O TJDFT descreve a fraude como um desdobramento do golpe do falso advogado, que o mesmo tribunal já vinha alertando em julho de 2026. A diferença é que agora os criminosos ampliaram os personagens: não é só o “advogado do seu caso”, pode ser um suposto juiz, um servidor do cartório, alguém que diz falar pela Defensoria.
A montagem costuma seguir esta linha:
- O criminoso pega dados de um processo real. No Brasil, a maioria dos processos é pública e pode ser consultada, então nome, número do processo e nome do advogado não são segredo.
- Ele entra em contato usando esses dados verdadeiros, às vezes com foto, logotipo e assinatura que imitam os oficiais.
- Inventa uma taxa, uma custa, uma despesa ou uma multa ligada ao processo.
- Cria pressa. Diz que você vai perder prazo, perder o valor da ação ou ter um problema maior se não pagar hoje.
- Manda uma chave Pix ou um boleto e some depois que o dinheiro cai.
Segundo o tribunal, boa parte dos processos usados nesse tipo de abordagem tramita nos Juizados Especiais, onde em certos casos a própria pessoa pode agir sem advogado. Faz sentido: é justamente quem não tem um advogado por perto para ligar e perguntar “isso é verdade?”.
O exemplo do Roberto
O Roberto tem 34 anos, mora com dois amigos em Taguatinga e nunca processou ninguém. Numa quinta à noite, chegou uma mensagem: foto de um homem de toga, nome completo do Roberto, CPF certo e um aviso de que existia um mandado contra ele por causa de uma dívida antiga. Para “suspender o mandado”, R$ 850 até o dia seguinte, por Pix.
O Roberto quase pagou. R$ 850 é metade do que ele separa por mês para aluguel e contas da casa, e ele já estava calculando de quem pediria emprestado. O que salvou foi ele ter contado no grupo da república. Um dos amigos falou para ligar no número que está no site do tribunal, não no que veio na mensagem. Ligou. Não existia processo nenhum.
A Justiça cobra taxa por WhatsApp? Não
Este é o ponto que resolve 90% dos casos: a Justiça não cobra valor por WhatsApp nem pede Pix para “liberar” ou “suspender” nada. O TJDFT reforça que não cobra dinheiro para cadastrar pessoas nem para liberar valores de processos judiciais.
Quando existe mesmo alguma custa processual, ela é paga por guia oficial, gerada no sistema do tribunal, e não por uma chave Pix pessoal mandada num áudio. E notificação judicial de verdade chega por carta dos Correios, por publicação no sistema oficial do processo (o PJe, que é o sistema eletrônico onde os processos ficam) ou por oficial de justiça que aparece pessoalmente. Não chega como mensagem de um número desconhecido pedindo pressa.
Outra coisa que ajuda a separar o joio: pagamento de processo, quando existe, tem como destino uma conta ligada ao Judiciário, ao escritório ou ao advogado do caso. Se a conta é de uma pessoa física que você nunca ouviu falar, acabou a conversa.
O que fazer quando a mensagem chegar
Passo a passo, na ordem:
- Desligue ou saia da conversa. Você não deve explicação a quem te ligou. Se for legítimo, vai continuar existindo amanhã.
- Não clique no link e não abra o anexo. Muitos desses e-mails levam a uma página falsa de “consulta processual” que serve para roubar seus dados.
- Não passe dado nenhum. Nem CPF, nem número de cartão, nem código que chegou por SMS.
- Consulte o processo por conta própria. Entre no site do tribunal e use a consulta pública com seu CPF. Se você tem advogado, ligue no número que você já usava antes, nunca no que veio na mensagem.
- Confirme pelo telefone oficial. Procure o número da ouvidoria ou da central do tribunal no site do órgão, digitado por você no navegador.
- Se já pagou, guarde tudo. Prints das mensagens, número de telefone, e-mails e o comprovante do Pix. Registre boletim de ocorrência e avise o banco. No caso de golpe envolvendo advogado, dá para denunciar à OAB também.
Uma dica que vale para a casa inteira: combine com quem mora com você que cobrança urgente por mensagem passa pelo grupo antes de virar Pix. Golpe funciona quando a pessoa está sozinha e com medo. Cinco minutos de conversa quebram quase todos.
Não confunda com o golpe do boleto falso
São fraudes diferentes e a defesa também é diferente. No golpe do boleto falso, o criminoso adultera um documento de cobrança de uma conta que você realmente tem, trocando o beneficiário e a linha digitável. A checagem ali é olhar o nome do beneficiário na hora de pagar no aplicativo do banco e comparar com quem deveria receber, além de conferir valor e vencimento.
No falso contato judicial não existe cobrança real por trás. A dívida ou o processo é a isca, e a defesa é confirmar a existência do processo direto no tribunal. Também não é o “golpe do falso filho”, em que alguém finge ser um parente com número novo. Ali o teste é ligar para o número antigo da pessoa.
Por que o medo faz a gente pagar
Repare no que o golpista vende: não é um prêmio, é um alívio. Ele oferece a chance de fazer um problema jurídico sumir por R$ 850. Quem tem o orçamento apertado calcula rápido que perder o carro, ter o nome sujo ou ser preso sairia bem mais caro, e paga para respirar.
Dá para reduzir esse susto tendo clareza do que você deve de verdade. Quem sabe de cor que tem R$ 340 no cartão para dia 12, o aluguel dividido com dois amigos e nenhuma dívida antiga em aberto reage diferente de quem não faz ideia. Muita gente usa o WhatsApp para isso mesmo: manda “mercado 240, metade do Bruno” para o Fin e o gasto fica registrado, separado por pessoa, com as contas do mês à vista. Quando chega uma cobrança estranha, é rápido conferir que aquilo não existe na sua vida.
Se a mensagem chegar hoje e você ficar em dúvida, o caminho continua o mesmo: nada de pagar antes de falar com o tribunal pelo número oficial. Perder um prazo inventado não custa nada. Pagar o Pix custa o mês inteiro.
Perguntas frequentes
Como saber se a intimação que recebi é falsa?
Intimação de verdade chega por carta, por oficial de justiça ou pelo sistema oficial do processo, e nunca vem com pedido de Pix para um número pessoal. Consulte o seu CPF na consulta pública do site do tribunal e ligue para a central oficial, digitando o endereço do site você mesmo. Se o processo não aparecer, é golpe.
Caí no golpe e já fiz o Pix. Dá para recuperar o dinheiro?
Nem sempre, mas você precisa agir rápido. Avise o banco no mesmo dia e peça o registro da ocorrência de fraude, porque existe um mecanismo de devolução para casos de golpe que depende de o dinheiro ainda estar na conta do criminoso. Faça boletim de ocorrência e guarde prints, número de telefone e comprovante.
Um juiz pode mesmo me chamar para audiência por vídeo no WhatsApp?
Audiência virtual existe, mas o convite vem pelos canais oficiais do processo e do advogado, com data e número de processo que você consegue conferir no site do tribunal. Chamada surpresa de número desconhecido, ainda mais com pedido de pagamento no fim, é encenação. O TJDFT relatou em setembro de 2026 casos de audiência simulada usados nesse golpe.
Tenho um processo de verdade. Como pago as custas sem risco?
Pagamento de custas é feito por guia gerada no sistema do próprio tribunal, com o número do processo. Peça a guia ao seu advogado pelo contato que você já usava antes e confira o beneficiário antes de pagar. Chave Pix de pessoa física não é jeito de pagar custa judicial.
Fontes
- Golpe do falso contato judicial: TJDFT alerta para nova forma de fraude (Gama Livre) gamalivre.com.br
- Golpe do falso boleto: como identificar e evitar (Blog BB) blog.bb.com.br
- TJDFT alerta para golpe do falso contato judicial (Jornal de Brasília) jornaldebrasilia.com.br
- Golpe do falso advogado: saiba como identificar a fraude e proteger-se (TJDFT) tjdft.jus.br
- Golpe do falso advogado: TJDFT alerta usuários da Justiça sobre a fraude — Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios tjdft.jus.br
- TJDFT e OAB-DF se unem para combater golpe do falso advogado — Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios tjdft.jus.br
- TJDFT alerta para golpe do falso advogado | Jornal de Brasília jornaldebrasilia.com.br
- Golpe do falso advogado: saiba como identificar a fraude e proteger-se | Gama Livre gamalivre.com.br
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