Primeiro mês registrando os gastos: o que anotar

No primeiro mês registrando os gastos, anote aluguel, contas fixas, fatura e compras grandes. Trocado de pão e moeda pode passar batido.

Mulher jovem digitando no celular logo depois de pagar as compras no caixa do supermercado.
Foto: Gustavo Fring · Pexels

No primeiro mês registrando os gastos, anote o que é grande e o que se repete: aluguel, contas fixas, fatura do cartão, parcelas, mercado. O trocado do pão, a moeda do estacionamento e a gorjeta do garçom podem ficar de fora sem estragar nada. Quem tenta anotar cada R$ 2,50 desiste no dia 10, e aí não sobra nada registrado.

A Camila ganha R$ 1.700 por mês. Ela começou três vezes. Nas duas primeiras, montou planilha com quinze categorias, anotou tudo por seis dias e parou. Na terceira, mudou o método: passou a mandar uma mensagem no WhatsApp com “mercado 90” assim que saía do caixa. Só isso. No fim do mês, tinha o retrato do dinheiro dela pela primeira vez na vida.

A lógica é simples: você não está fazendo contabilidade, está tentando descobrir para onde vai o seu salário. E o salário vai embora em pedaços grandes, não em moedas.

O que anotar sempre, desde o primeiro dia

Aluguel, condomínio e as contas que chegam todo mês

Essas são as mais fáceis e as mais importantes. Aluguel, condomínio, luz, água, internet, celular, transporte. São valores altos e previsíveis, e juntas costumam comer a maior fatia do que entra.

Anote uma vez, no dia que pagar. Se você mora com alguém, anote o valor cheio e o que é seu. A Camila divide um apartamento com a irmã: aluguel de R$ 1.100, metade para cada uma, então ela registra os R$ 550 que saíram da conta dela.

Só de somar o bloco fixo você já sabe uma coisa importante: quanto do salário está comprometido antes de você fazer qualquer escolha. No caso da Camila, o fixo dava R$ 780 de R$ 1.700. Sobravam R$ 920 para o resto do mês.

A fatura do cartão, mas do jeito certo

Aqui é onde muita gente se perde. Você tem duas opções, e escolher a errada faz você contar o mesmo dinheiro duas vezes.

No primeiro mês, eu faria assim: registre a fatura inteira quando ela vier, como um gasto só. “Fatura 640”. Pronto. Não anote cada compra do cartão separadamente ainda, senão você vai anotar o mercado no dia da compra e de novo quando a fatura chegar, e o mês vai parecer duas vezes pior do que é.

Do segundo mês em diante, quando o hábito já pegou, você pode começar a anotar as compras do cartão na hora e usar a fatura só para conferir. Mas isso é refinamento. No começo, fatura é um número só.

As parcelas que já estão rodando

Se você tem parcela do celular, do sofá ou daquela viagem do ano passado, escreva numa lista à parte: o que é, quanto é por mês e quantas faltam.

Não precisa de app nem de nada. Bloco de notas serve. “Celular: R$ 89, faltam 4”. “Geladeira: R$ 145, faltam 7”. Essa lista responde a pergunta que ninguém consegue responder de cabeça: em que mês eu volto a respirar. A Camila descobriu que em fevereiro duas parcelas somando R$ 234 iam cair, e isso mudou o humor dela em relação ao ano inteiro.

Compra de mercado, farmácia e as saídas grandes

Mercado é o gasto que mais varia e o que mais assusta quando você soma. Anote toda compra de mercado, do jeito mais burro possível: valor e uma palavra.

A Camila mandava “mercado 90”, “mercado 34”, “mercado 118”. No fim do mês somou R$ 412. Ela achava que gastava uns R$ 250. É esse tipo de susto que faz o registro valer a pena.

Mesma coisa para farmácia, uma peça de roupa, o presente de aniversário, o conserto do carro. Qualquer coisa acima de uns R$ 40 ou R$ 50 merece uma linha.

O que você paga para os outros, ou o que os outros te devem

Se você pagou a conta do bar e três pessoas te devem, isso não é gasto seu inteiro. Se a sua irmã pagou a internet e você devolve metade por Pix, isso é gasto seu.

Anote com o nome junto: “jantar 180, Bruno deve 90”. Sem isso, no fim do mês você acha que gastou muito mais do que gastou, ou esquece de cobrar e engole a diferença. Acontece direto em república e em viagem.

O que dá para ignorar no primeiro mês

Trocado, moeda e valor abaixo de R$ 20

O pão de R$ 6, o café de R$ 5, a moeda do ônibus quando você já anota o transporte por mês. Deixa passar.

Sim, isso soma. Um café por dia útil dá uns R$ 100 no mês. Mas o custo de anotar cada um é você abandonar o método antes de completar trinta dias, e aí você fica sem informação nenhuma. Prefiro saber 85% do mês do que saber 100% de nove dias.

Se você desconfia que o miúdo está te comendo vivo, tem um atalho: no fim do mês, veja quanto saiu de dinheiro em espécie e do Pix pequeno e jogue tudo numa linha só chamada “miudezas”. Um número, sem detalhe.

Gorjeta, taxa de entrega e centavos

Arredonde. Se o mercado deu R$ 89,73, anote 90. Se o iFood deu R$ 47,50 com taxa, anote 48. Ninguém vai auditar você.

Centavo é o inimigo do hábito. A pessoa que anota R$ 89,73 é a mesma que trava quando não lembra se era 73 ou 78 e deixa o dia inteiro em branco.

Categoria detalhada

Esse é o erro clássico da planilha. “Alimentação fora de casa”, “alimentação em casa”, “lazer”, “cuidados pessoais”, “desenvolvimento”. Quinze categorias e você paralisa na dúvida se o sorvete depois do cinema é lazer ou alimentação.

No primeiro mês, quatro palavras bastam: casa, mercado, transporte e resto. Tudo que não é conta fixa, comida ou deslocamento cai em resto. Se no segundo mês o “resto” estiver enorme, aí sim vale abrir em duas ou três partes.

O passado

Não tente reconstruir os últimos seis meses no extrato. É trabalhoso, é chato e o número que sai dali não muda nada do que você vai fazer amanhã.

Começa hoje. Se hoje é dia 18, começa no dia 18 e aceita que esse primeiro mês vai ser parcial. Vale mais do que esperar o dia 1º do mês que vem, porque na prática você esquece.

Como fazer isso sem virar um segundo emprego

O ponto que decide tudo é quando você anota. Se for “depois”, não vai. A regra da Camila era anotar antes de guardar a carteira, ainda no caixa ou dentro do carro. Leva cinco segundos.

Um passo a passo que funciona:

  1. Escolha um lugar só. Bloco de notas do celular, caderninho, app, mensagem para você mesmo no WhatsApp. Um. Se você tiver dois, vai perder metade em cada.
  2. Anote no momento do pagamento. Valor arredondado e uma palavra. “Farmácia 62”.
  3. Liste as contas fixas de uma vez só, no começo do mês, com o dia de vencimento ao lado.
  4. No domingo, dá uma olhada de dois minutos. Só para ver se esqueceu de algo grande.
  5. No fim do mês, some. Fixo, mercado, transporte, resto. Compare com o que entrou.

Tem gente que prefere mandar a mensagem e não pensar mais nisso. É o caso de quem usa o Fin: você escreve “mercado 240, metade da Ana” no WhatsApp, ele registra, separa o que é seu e o que é da Ana, acompanha a fatura e as parcelas, e mostra quanto sobrou no mês. O resumo de quem deve o quê fica pronto; mandar a cobrança continua sendo você.

O que esperar do resultado no dia 30

O primeiro fechamento quase sempre decepciona um pouco, e tudo bem. Vai faltar coisa, vai ter um valor que você não lembra de onde veio, e a soma provavelmente não vai bater certinho com o extrato. Não refaça.

O que você quer descobrir são três coisas: quanto do salário some em conta fixa, qual gasto variável é o maior, e se sobrou ou faltou. A Camila fechou o mês assim: R$ 780 de fixo, R$ 412 de mercado, R$ 190 de transporte, R$ 260 de resto. Total de R$ 1.642 contra R$ 1.700 que entraram. Sobrou R$ 58, e ela achava que sobrava zero.

O número em si importa menos que a sensação de saber. Depois de um mês com registro, você para de tomar decisão no escuro. Quando alguém chama para um rolê de R$ 120 no dia 22, você sabe se dá ou não dá, sem chutar.

No segundo mês, aí sim vale apertar um parafuso: separar o mercado do delivery, anotar as compras do cartão no dia, ver quanto o “resto” esconde. Mas isso é problema do mês que vem.

Perguntas frequentes

Preciso anotar os gastos do cartão e a fatura também?

Não os dois ao mesmo tempo, senão você conta o dinheiro em dobro. No primeiro mês, registre só a fatura, como um valor único no dia do pagamento. Quando o hábito estiver firme, você troca: anota cada compra na hora e usa a fatura só para conferir se bateu.

E se eu esquecer de anotar por alguns dias?

Volta a anotar no dia seguinte e não tenta recuperar o que passou. Marcar um valor aproximado só para "fechar" o buraco costuma bagunçar mais do que ajudar. Um mês com três dias faltando ainda te mostra bem para onde o salário foi.

Vale a pena usar planilha ou é melhor app?

Vale o que você abre sem preguiça no meio da fila do mercado. Planilha exige sentar no computador, e é aí que a maioria desiste. Se você vive no celular, qualquer coisa que aceite uma linha rápida de texto funciona melhor no começo.

Como anoto quando pago uma conta que é dividida com outra pessoa?

Registre o valor cheio que saiu da sua conta e escreva ao lado quanto a outra pessoa te deve. Assim você não confunde o que gastou de verdade com o que só passou pela sua conta. No fim do mês, some o que está pendente antes de decidir que estourou o orçamento.

Quem escreve

Diego Araujo

Fundador do MeuFin

Sou o Diego, fundador do Fin. Acredito que cuidar do dinheiro não precisa ser chato nem virar assunto de briga. Por isso escrevo sobre o básico bem feito: registrar o gasto na hora, entender a fatura, saber quanto sobrou e acertar as contas com quem divide. Sem jargão, sem promessa de ganho, com fonte quando tem número. Reviso cada texto antes de ir ao ar.

Conta pro Fin.

Você conta o gasto do jeito que sair; o Fin registra, separa o que é de cada um e mostra quanto sobrou. Pelo WhatsApp, pela web ou pelo app.